Guaporé, Rio Grande do Sul, Brasil.
Com origem na língua Guarani, Guaporé significa rio encachoeirado (entre matas alagadas). O nome faz referência ao rio utilizado para navegação pelos índios que habitavam esta região e pelos Jesuítas em suas primeiras explorações, sendo que, primeiro o nome atingiu o rio e depois passou a identificar o território que abrigou a Colônia Guaporé.
Situado no Planalto da Serra Geral, 478 metros acima do nível do mar, possui relevo acidentado, com altitude máxima aproximada de 700 metros. Sua distância da capital gaúcha, Porto Alegre, é de 192 km. Com relação às principais cidades vizinhas, temos: Bento Gonçalves a 73 Km, Caxias do Sul a 114 Km, Passo Fundo a 104 Km, Lajeado a 89 Km e Veranópolis a 56 Km. O principal acesso se dá através da rodovia RS-129.
Podemos afirmar que Guaporé teve o seu descobrimento em 1635 quando o padre Jesuíta Francisco Ximenez, partindo da Redução de Santa Teresa do Igaí, nas proximidades do atual município de Passo Fundo, acompanhado de índios vaqueanos iniciou a exploração desta vasta região da Bacia Hidrográfica Taquari-Antas, a qual pertence Guaporé.
Foi durante essa expedição, que os Jesuítas fizeram os primeiros contatos com as diversas tribos indígenas que habitavam as terras de Guaporé. Depois, a partir de 1636, começaram a passar por aqui, também, expedições de bandeirantes a procura de mão de obra escrava e alguns mercadores portugueses.
Entre os vários episódios ocorridos nesta época, destaca-se a bravura do Cacique “Nacê” (Naee), que resistiu com toda sua comunidade às tentativas dos Jesuítas de reduzi-los junto a Santa Teresa do Igaí, mesmo sabendo da ameaça que teriam de serem escravizados pelos Bandeirantes. “Nacê” tornou-se um símbolo de amor e devoção à terra de Guaporé.
Já, a partir de 1800, com o deslocamento de famílias primitivas no Vale do Taquari e, a partir de 1875 quando chegaram ao Rio Grande do Sul para recomeçarem suas vidas, os primeiros imigrantes italianos, ambos encontraram na área onde hoje se localiza o Município de Muçum o local ideal para os primeiros assentamentos, dando início ao primeiro núcleo de povoamento do extenso território do Guaporé.
Pouco a pouco, com a chegada de novos imigrantes, outros núcleos de colonização foram se formando, como o povoado de Santa Bárbara, a Fazenda dos Pinheiros, também conhecida como Fazenda Fialho, a Colônia Deodorópolis que deu origem a Dois Lajeados, o povoado de Pinheiro Alto, atual Boa Vista, em São Valentim do Sul, sempre a partir da parte sul do território, seguindo posteriormente em direção ao norte, onde outros núcleos foram se formando, como o Campo do Meio (Gentil), próximo a Passo Fundo, o povoado de São Luiz de Cáscara, atual município de Casca, o povoado Fonini, que depois foi Vila Oeste e hoje faz parte de União da Serra e tantos outros.
Diante da crescente expansão populacional e do alto desenvolvimento econômico o Governo do Estado decidiu fundar, em 1892, a Colônia Guaporé, em terras pertencentes aos municípios de Lajeado e Passo Fundo, sendo administrada pelo Engenheiro José Montaury de Aguiar Leitão, que designou o também Engenheiro Vespasiano Rodrigues Corrêa para limitar e lotear as terras, demarcando 5 mil lotes que mediam entre 25 e 30 hectares. A antiga colônia tinha como sede o local denominado Varzinha (atual Praça Vespasiano Corrêa), por causa de suas características topográficas de várzea alagada, sendo o pequeno povoado quem deu origem a atual cidade sede.
Logo, os primeiros moradores provindos das colônias de Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Veranópolis chegaram ao local, de modo que, em 1896, a colônia já contava com cerca de 7 mil habitantes, em sua maioria italianos, incluindo alguns alemães, poloneses, russos e austríacos.
Frente ao desenvolvimento e a prosperidade, marcas que permanecem até os dias atuais, em 11 de dezembro de 1903, o Decreto Estadual número 664 instituiu o Município de Guaporé, tendo como fundador e primeiro Intendente o Engenheiro Vespasiano Rodrigues Corrêa, empossado em 1º de janeiro de 1904 e que estava em Guaporé dirigindo a Comissão de Terras e Colonização. A fundação de Guaporé contou com a presença do então Governador do Estado, Sr. Antônio Augusto Borges de Medeiros que, homenageado pelos guaporenses, deu nome a estrada de rodagem que ligava Guaporé ao importante e movimentado porto de General Osório, hoje Muçum.
Junto com outros imigrantes, chegou a Guaporé, em 1907, a Família Pasquali, que trazia em sua bagagem o conhecimento, a coragem e espírito empreendedor na prestação de serviços de ourivesaria. Após dois anos, em 1909, João Pasquali inaugurou sua empresa de ourives, sendo o princípio da fabricação de joias na cidade e o começo da marca Pasli. A empresa funcionava em uma pequena casa de madeira, no térreo, sendo o pavimento superior, sua residência, localizada na atual Avenida Alberto Pasqualini.
O ramo joalheiro se desenvolveu ampliando negócios, gerando emprego e renda, fortalecendo o espírito empreendedor da comunidade, o que pode ser comprovado pelo número expressivo de empresas, transformando Guaporé em Polo Estadual e segundo lugar no âmbito nacional na produção de joias folheadas, com comercialização nacional e internacional.
Em 1910, Guaporé já possuía 30 mil habitantes, com 170 prédios e 1.020 moradores no centro, dotado de praça, telégrafo, correio e uma primitiva Igreja Matriz. Várias aulas públicas também já estavam em atividade. Seus principais produtos agrícolas eram arroz, feijão, milho, soja, laranja e uva. Contava ainda com 82 casas de negócios e algumas indústrias, destacando-se na produção de aguardente, banha, vinho, ovos e queijo.
Aos poucos, o desenvolvimento econômico, cultural, religioso e industrial do Município de Guaporé se tornou visível. Um desses exemplos, trazido pelos imigrantes italianos, foi a idealização da Igreja Matriz, iniciada no ano de 1897, cuja construção demorou mais de 50 anos, passando por várias modificações. O templo atual, em estilo Neogótico, foi idealizado por Ticiano Bettanin e tem como padroeiro Santo Antônio, sendo um dos orgulhos da comunidade guaporense por sua rara beleza.
Uma empresa que trouxe grande desenvolvimento ao município surgiu em 7 de fevereiro de 1919, sob a razão social de Corbetta, Termignoni & Cia, iniciando assim, o Curtume Guaporense, sendo considerada uma das maiores empresas do setor coureiro da América do Sul. Seu idealizador e fundador foi o italiano Carlos Termignoni, que também fundou inúmeras empresas de laticínios ao longo da estrada de rodagem Muçum-Guaporé-Passo Fundo e alguns frigoríficos.
Em 1924, o Curtume Guaporense já figurava entre os mais importantes estabelecimentos do município, realizando a exportação de 82 mil peles. Com o crescimento da indústria, formou-se ao seu redor o primeiro bairro de Guaporé, chamado popularmente de “Borgo”, o qual vivia em função do Curtume que dava trabalho a seus moradores.
Além do curtimento do couro, fabricavam-se correias de transmissão, couros técnicos para indústrias têxteis, para vestuário, luvas, malas, chinelos e outros artigos, exportados para as principais praças do país e Estados Unidos. A empresa possuía filiais em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.
Em 1929 a energia elétrica chegou a Guaporé com a inauguração da pequena usina hidrelétrica construída junto ao rio Guaporé, impulsionando definitivamente a expansão do comércio e da indústria local, onde vários estabelecimentos foram expandidos ou criados, como frigoríficos, vinícolas, cooperativas, casas financeiras, hotelaria, transportes e outros.
A agricultura também figurou como uma das mais importantes fontes de economia de Guaporé, sendo que, em 1937, foi instalada uma filial do Moinho Rio-grandense Bung & Born, no prédio do Moinho Pandolfo, e se tornou uma das maiores empresas do município sob o nome S/A Moinhos Rio-grandenses – SAMRIG. O prédio maior, na esquina, com a divisão dos pavimentos em madeira, conseguia oferecer uma capacidade de armazenagem de até 300 toneladas ou 5 mil sacos.
Outra empresa que muito contribuiu para o desenvolvimento de Guaporé foi a Maltaria Guaporense, da empresa Giordani, Pandolfo & Cia Ltda. Estabelecida em 1938, a Maltaria Guaporense consolidou um invejável conceito como produtora de um malte puríssimo, empregado na fabricação das mais afamadas cervejas nacionais. Com um volume comercial em 1950 de 20.000 sacos de cevada germinada ou malte propriamente dito, o renome do malte Cometa, marca consagrada do produto guaporense, alcançava elevado apreço nas praças do Rio de Janeiro e São Paulo. Em 1950 a empresa empregava em sua fabricação, a cevada cultivada na região, impulsionando a agricultura e a geração de riquezas em Guaporé.
Nos anos de 1960, Guaporé era um município basicamente agrícola, se destacando no Estado do Rio Grande do Sul como grande produtor de milho, promovendo, em 1962, a Primeira Festa do Milho de forte repercussão no Estado, pois além do parque de exposições se sobressaía pelo desfile de carros alegóricos, semelhantes à Festa da Uva de Caxias do Sul.
No ano de 1969, através de um grupo de aficionados pelo automobilismo, liderados pelo médico entusiasta Dr. Nelson Luiz Barro, teve início a construção do autódromo, hoje internacional, inicialmente com provas automobilísticas realizadas em chão batido impregnado de óleo. Atualmente, a pista conta com 3.080 metros, sentido anti-horário, localizada em uma praça esportiva de 800 mil metros quadrados que comporta uma área de camping, kartódromo, parquinho infantil, bares, restaurantes, sede campestre e um lago com aproximadamente 4 metros de profundidade, sendo mais uma das belezas naturais que o Autódromo Municipal Nelson Luiz Barro proporciona aos seus associados e visitantes.
Diversificando o acesso a Guaporé, no ano de 1978, foi concluída a tão sonhada Ferrovia do Trigo, cujas obras se estenderam por décadas. Motivo de orgulho para os guaporenses e região por sua magnitude de engenharia, a ferrovia era uma atração turística, pois o trem passava por montanhas e vales, além de 26 pontes e viadutos e 34 túneis. Há anos, liderada por Guaporé, a região vem pleiteando e batalhando para a instalação de um trem turístico nesta ferrovia, como forma de fomentar o turismo e aumentar a renda proveniente deste setor.
Ainda decorrente do espírito empreendedor e criativo do empresariado guaporense, surgiu nos anos de 1990, o emergente mercado de moda íntima, gerando emprego e renda, que vem se destacando no mercado estadual e nacional, com abrangência também em países da América e da Europa.
Graças à valorização e a herança deixada pela cultura da imigração, fortalecida pelo espírito criativo de sua comunidade, o Município de Guaporé se destaca no turismo de compras dentre os demais da região. Os produtos que oferece, essencialmente joias e lingerie, são a prova de um olhar inovador sobre o mundo, pois agregam beleza, qualidade e sofisticação.
Durante o ano, o município conta com eventos direcionados ao turismo de compras, tanto para o consumidor final, como para lojistas e atacadistas que trazem ao município em torno de 50 mil visitantes.
Guaporé sempre agiu com responsabilidade no setor educacional, atingindo elevados índices nessa área, pois sempre contou com escolas padrão, sejam elas municipais, estaduais ou particulares. Nesse contexto, destacamos o já extinto Colégio Marista Imaculada Conceição, o atual e inovador Colégio Scalabrini, da Congregação Carlista e o popular Colégio Estadual Bandeirante, pontos de referência regional em educação, em épocas distintas.
Em 18 de outubro de 1991, foi instalado o Núcleo da Universidade de Caxias do Sul em Guaporé com a abertura do curso de pós-graduação de Especialização em Metodologia e Pesquisa no Ensino Superior e dois anos depois, em 1993, o curso de Bacharelado em Ciências Contábeis e, em 1995, o de Tecnologia em Processamento de Dados.
Com uma população projetada de aproximadamente 25 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Guaporé deixou de ter a sua principal fonte de trabalho e riqueza na agricultura, passando a se constituir de uma população 90% urbana. A indústria é hoje a principal fonte de riquezas de Guaporé, embora seja ainda expressiva no Orçamento Municipal a contribuição do setor agrícola.
Rodeado por uma natureza exuberante, situado entre os vales dos rios Guaporé e Carreiro, o município oferece diversos atrativos de lazer e turismo aos seus visitantes, com destaque para o “Autódromo Internacional Dr. Nelson Luiz Barro”, o Kartódromo Municipal, o monumento ao Cristo Redentor no alto do Morro do Galon, a Igreja Matriz Santo Antônio, a Praça Vespasiano Corrêa, o espaço Ayni, o antigo Moinho Ortolan, três vinícolas e pesque e pague, a Cascata do rio Bíscaro, o Salto do Taquara, a Cascata do Lajeadinho, o Viaduto Mula Preta, a Gruta Nossa Senhora de Lourdes (gruta dos padres), o Recanto São Carlos (antigo seminário), a sede campestre da AFAG, a cascata do Arroio Leão, diversas capelas e capitéis pelo interior, a feira anual Mostra Guaporé, o Shopping Belas Guaporé e muito mais.
É importante lembrar que muitos dos atuais municípios vizinhos integraram no passado o município de Guaporé, à época denominados de vilas ou de distritos, como Muçum, Vespasiano Corrêa, Dois Lajeados, Santa Bárbara, São Valentim do Sul, Vila Oeste, Pulador, Serafina Corrêa, Montauri, Evangelista, Casca, Vila Maria, Marau, Vanini e São Domingos do Sul. Ao longo dos anos, todos eles deixaram de pertencer a Guaporé em função de suas emancipações ou anexações.
Embora centenário, Guaporé é um município jovem e moderno que através de seu dinamismo e criatividade avança no tempo, sempre posicionado em lugar de destaque. Considerado a Capital da Hospitalidade, também recebe o carinhoso título de Capital da Moda Íntima e das Joias Folhadas, sendo que o brilho e o glamour dos produtos confeccionados aqui, são os principais atrativos para se conhecer.
Visite-nos! Guaporé te espera de braços abertos.

Vista panorâmica da cidade a partir do morro do Cristo (Morro do Gallon).