Um território em pleno desenvolvimento.
Em 19 de dezembro de 1892 foi criada oficialmente a “Colônia Guaporé”, tendo como fundador, o engenheiro José Montaury de Aguiar Leitão. A “Colônia Guaporé” era formada pelo território situado entre os rios Carreiro, das Antas e Taquari, numa extensa faixa de terra que se estendia desde o povoado de Muçum, ao sul do território, até o povoado de Vila Maria, ao norte.

Povoado de Varzinha – Sede da Colônia Guaporé.
Fundada a “Colônia Guaporé”, aqui se instalaram João Alves da Rocha, brasileiro, Ângelo Cancha e Giuseppe Lombardi, peninsulares, que estabeleceram as primeiras casas comerciais do lugar. Vieram a seguir José Panassolo, viúva Rosa Cella e filhos, Antônio Minatto, Pedro Dall´Agnol e outros. Cerca de 200 famílias foram logo colocadas nos lotes mais próximos à sede da “Colônia Guaporé”, chamada de “Nova Virgínia” pelos imigrantes, vindos à maioria de Treviso e Veneza, por considerarem-na o “Eldorado” das novas colônias.
O engenheiro Vespasiano Rodrigues Corrêa, que mais tarde fundaria Guaporé, é designado pelo Diretor da Comissão de Terras, engenheiro José Montaury de Aguiar Leitão, para fazer a demarcação dos lotes da então “Colônia Guaporé”.
No mês de dezembro, chegaram como imigrantes na Linha São Pedro, recebendo um machado, uma foice, um facão, uma pá, duas enxadas e uma picareta cada um, os seguintes imigrantes: Antônio Campignoto, Vitório Cremona e Andréa Castiani. O segundo, na ordem, recebeu ainda 1/5 de uma serra e 1/5 de um rebalo. Foram assentados na Linha São Pedro 26 imigrantes. Nem todos receberam material para construir casa. Os valores eram debitados. Em geral seriam pagos com trabalho na abertura de picadas, conforme referências constantes no códice S.A.
Após cinco anos de profícua administração, deixou o Dr. Montaury de Aguiar Leitão seu cargo para ir ocupar o da chefia da “Repartição de Terras e Colonização”, repartição esta que, com os respectivos encargos, passou do governo da União para o do Estado.
Durante os dois primeiros anos da “Colônia Guaporé” (1892-1894), não houve a presença de religiosos por aqui. As colônias de Encantado e Guaporé estavam praticamente abandonadas, e deviam contentar-se com as esporádicas visitas do jesuíta alemão, Padre Bernardo Bolle, que de vez em quando, a partir de Estrela, percorria o planalto, em longas e estafantes peregrinações. Data deste ano a primeira visita deste sacerdote à nossa terra, que vindo de Lajeado, celebrou a primeira missa na cozinha de uma residência. Em seguida, a igreja fixou a primeira capela, de frente para a praça, de madeira, em local destinado propositalmente para ela. Desempenhava além das atividades religiosas, a manutenção da aula, ensinando catecismo e alfabetizando crianças.
Com o passar de três ou quatro anos de assentamentos, já estava caracterizada a Avenida 15 de Novembro, atual Av. Alberto Pasqualini. Foi a primeira grande rua de Guaporé, ainda antes de sua fundação.
Aos poucos foram sendo formados vários núcleos de colonização em terras da “Colônia Guaporé”, dando origem as localidades de Muçum, Casca e Serafina Corrêa, entre outras. Com o desenvolvimento crescente novas localidades foram surgindo e o progresso cada vez mais se fazia presente.
A 31 de março de 1898, por ato municipal de Lajeado, é criado o Distrito de Guaporé, com sede no lugar denominado “Varzinha”. A “Colônia Guaporé” foi então elevada à condição de Capela Curada. A Comissão de Terras e Colonização continuava atenta, cuidando das estradas e de outros encargos. Neste ano construiu 24.500 metros de caminhos vicinais.
Em 1899, o casal Vespasiano Corrêa e Serafina Corrêa transferem-se para Guaporé. O Engenheiro Vespasiano Rodrigues Corrêa fora nomeado ajudante da Comissão de Santa Cruz e nesse caráter seguiu para o município de Lajeado com a incumbência especial de discriminar e medir terras entre os rios Carreiro e Guaporé. Em agosto começou os trabalhos de medição pelo levantamento do rio Carreiro, partindo da barra do arroio “Feijão Cru”, e, logo depois, iniciou levantamento no rio Guaporé. Em 20 de fevereiro de 1900, Vespasiano Corrêa assumiu oficialmente a chefia da Comissão de Terras de Guaporé.
Em três de julho de 1900 foi removido para a Colônia de Guaporé, o agrônomo Lucano Conedera, que servia na liquidação da dívida de Alfredo Chaves, tendo atuado decisivamente na construção do Posto Agronômico em Guaporé, o primeiro do interior do estado, como também nos trabalhos de elaboração de mapas para implantação da sede.
Entre janeiro e agosto de 1901 chegaram à colônia Guaporé mais 259 imigrantes. Não há indicação acerca do assentamento. Havia alemães, italianos, russos, poloneses, portugueses, com índice de 90% de italianos: 29 receberam auxílios para caminhos vicinais, e algumas ferramentas. Havia católicos e não católicos. Os últimos sempre alemães. Idades variando entre 1 e 56 anos. 88 pessoas casadas, um viúvo.
Em 1902 dá-se a construção das estradas entre Muçum e Linha Emília, entre Guaporé e Encantado, entre Guaporé e Soledade, Passo Fundo (Campo do Meio) e Alfredo Chaves (rio Carreiro), por colonos devedores que assim saldariam o seu débito com o estado.
Em 11 de dezembro de 1903, foi anunciada a emancipação política de Guaporé, quando o Presidente do Estado, Dr. Antônio Augusto Borges de Medeiros assinou o Decreto nº 663, referente às instruções organizacionais do novo município, e também o Decreto nº 664, concedendo autonomia ao município assim criado. A “Colônia Guaporé” é extinta oficialmente, dando origem ao Município de Guaporé, cuja área de terra é a mesma da extinta colônia.
Esta galeria traz imagens da vida em localidades que faziam parte da “Colônia Guaporé”. Mesmo depois da emancipação política da antiga colônia, estas localidades continuaram a integrar o novo município, até que aos poucos, uma a uma também foram se emancipando e seguindo seu próprio caminho.
Por Caminhos de Guaporé – maio de 2014.